segunda-feira, 3 de setembro de 2012

Desabafo

Forças eu não tenho mais, sinto-me abandonada pelo mundo, e quando o coração aperta tenho o consolo das lágrimas que escorrem como fogo queimando  uma gota de esperança que ainda existe. E de repente vem tantos pensamentos ofuscando minha mente e paraliso num mundo desconhecido e solitário.
                Sensação estranha acontece, queria eu ter o poder das aves e poder voar libertando-se de mim mesmo. Vivo presa distribuindo falsos sorrisos na tentativa de esconder o imenso vazio que induz o meu ser.
                Como é triste viver alfinetado por palavras ásperas, secas e venenosas, pois quem alfineta com as palavras, não imagina o poder destrutivo que elas possuem. E para não morrer entediada, cercada num mundo depressivo, recorro ao lápis e papel escrevendo coisas inusitadas sem sentidos como forma de desabafo.
                E na esperança de aliviar o desespero vou para o quarto e fico isolada passando noites em claro, tendo como testemunha de vida a toalha secante das minhas lágrimas. E dói cruelmente no peito, que às vezes me abandono querendo a morte acreditando finalizar o sofrimento que insiste em andar comigo. E trancada entre quatro paredes ouço do lado de fora, pessoas sussurrando, sorrindo e esbanjando felicidade, enquanto eu continuo desacordada no meu mundinho surreal.
                                                                             

                                                                  



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